Retrospectiva 2025

2025 foi um ano de muitas transformações aqui no Instituto Sumaúma. Visitamos novos lugares, ampliamos nossas ações, encaramos desafios importantes e fortalecemos nossa rede institucional. Sonhamos, plantamos e, em muitos momentos, colhemos os frutos desse percurso. Por isso, é com muita alegria e orgulho que, agora, no encerramento do ano, compartilhamos um pouco das realizações que marcaram essa caminhada.


Institucional

Neste ano, nossa equipe cresceu! Chegaram Vanessa Silva para atuar como Analista de Pesquisa, Diego Galofero como Assistente Administrativo, Maria Fernanda Ruas como Analista de Comunicação e Abraão Filipe como Assistente de Comunicação. Uma equipe linda que só tem entregado projetos incríveis.

Também iniciamos o lançamento da Newsletter mensal do Instituto Sumaúma, enviada todo dia 25, desde o mês de julho. No boletim, é possível acompanhar de perto nossas ações, projetos realizados, eventos e uma curadoria especial de conteúdos e oportunidades. O link para se inscrever é aqui.

A Newsletter traz, ainda, mensalmente, uma coluna com a psicóloga Karina Sousa intitulada “Cartas de uma jovem pesquisadora negra”. São reflexões sobre experiências vividas no espaço universitário, buscando fabular como o mundo acadêmico pode se abrir para caber outros mundos, outros cotidianos, outros saberes que não sejam eurocentrados e excludentes.


Diálogos sobre filantropia

Em maio, estivemos no 13º Congresso GIFE, o maior encontro nacional dedicado a repensar a filantropia e o investimento social privado no Brasil. Já em agosto, no Mês da Filantropia Negra 2025 – Sankofa: Memória e Reparação, organizado pelo GIFE, experienciamos as programações que incluíam um circuito histórico e arqueológico conduzido pelo Instituto Pretos Novos pela região da pequena África, no Rio de Janeiro.

No final do ano, em dezembro, aconteceu o lançamento do Censo GIFE 2024–2025, com mesas e discussões essenciais. A nossa fundadora e diretora executiva, Taís Oliveira, marcou presença no evento.


Nossas atividades de formação

Entre maio e dezembro, o Instituto Sumaúma promoveu o Ciclo de Formação Técnica para Pesquisadores. O objetivo do ciclo foi partilhar com profissionais do campo da pesquisa acadêmica habilidades técnicas que são essenciais, mas não são ensinadas de forma sistematizada e/ou democrática nas instituições de ensino superior.

Ocorridos na primeira semana de cada mês, os oito encontros contaram com a presença de especialistas que abordaram temas diversos: precificação, mercado editorial, estratégias de permanência na pós-graduação, metodologia científica decolonial, desenvolvimento de carreiras, aprendizado de línguas e intercâmbio para pesquisadores, carreira internacional e período sanduíche e pesquisas de impacto social.

Agradecemos a Jana Gomes, Joselicio Junior, Wanessa Yano, Toni C., Luciana Karla, Abraão Filipe Oliveira, Lidiane Barreto, Maria Fernanda Ruas, Márcia Guena, Taís Oliveira, Juliana Paula Rosa, Marta Celestino, Rosani Matoso Silva e Johanna Katiuska Monagreda, que contribuíram compartilhando suas trajetórias e conhecimentos conosco.

Neste ano, realizamos também a VI Edição do Curso Preparatório para Seleções de Pós-Graduação. Foram 193 pessoas inscritas, entre pessoas negras, indígenas, periféricas, e mais de 50 estudantes selecionados para construir propostas de pesquisa com impacto social.

A nossa equipe de tutores foi formada por Abraão Filipe Oliveira, Eliane Alves, Fernanda Souza, Helen Rose Santos, João Raphael da Silva, Hugo Fulni-o, Lídia Michelle Azevedo, Lina Moreira, Marcus Vinícius Bomfim, Maria Fernanda Ruas, Renata Nascimento, Taís Oliveira, Tarcizio Silva, Thiane Neves e Wesley Rosendo.

Mais um ano com uma turma altamente engajada e com investigações de grande potencial. Em nosso site, você pode conferir textos que alguns estudantes da VI Turma do Curso Preparatório produziram.

E, neste fim de ano, já temos notícias de aprovação: Uydimyla Oliveira (no Programa de Pós-Graduação em Ciência Política da UFPR) e Leila Evelyn (no Programa de Comunicação e Consumo da ESPM). Queremos parabenizá-las e desejamos sucesso na trajetória de cada uma!


Programa Sumaúma Lab: projetos e iniciativas de pesquisa, comunicação e incidência política

Em maio, a fundadora e diretora executiva do Instituto Sumaúma, Taís Oliveira, participou da mesa “Combate ao racismo e promoção da igualdade racial nas plataformas digitais”, realizada no 15º Fórum da Internet no Brasil (FIB15), evento promovido pelo Comitê Gestor da Internet no Brasil (CGI.br).

No mês de outubro, aconteceu o ciclo formativo “Cuidados Digitais e Bem-estar na Internet para Povos e Comunidades de Terreiro e Matriz Africana”, uma realização do Instituto Sumaúma, em parceria com o Instituto Omó Nanã e o Nzinga Coletivo de Mulheres Negras, dentro do Projeto Nanet da Abong (Associação Brasileira de ONGs).

Após quatro encontros online, o momento presencial aconteceu no Cenarab (Centro Nacional de Africanidade e Resistência Afro-Brasileira), em Belo Horizonte (MG). Foram discussões transformadoras e muitos aprendizados sobre como podemos pautar os cuidados no contexto digital, através dos ensinamentos de divindades das comunidades de matriz africana, em suas conexões, com os desafios da tecnologia na contemporaneidade.

Só podemos agradecer a cada pessoa formadora que compartilhou seus conhecimentos, com tanta generosidade: Vodunsi Jéssica de Agbê Manjá, Ekede Ayana Odara, Mariana Gomes, Ekedi Obayomi, Ekedi Thiane Neves, Gabriela Almeida, Iyá Marta Celestino, Deivison Faustino, Babá Daniel Pereira, Mestre Washington, Yawô Nirvana d’Yemonja, Fernanda Rodrigues, Mestre Paulo Henrique dos Santos, Maria Aparecida Moura, Iyá Adriana de Nanã, Makota Cássia e Mariana Lopes.

Em novembro, lançamos o relatório da pesquisa “Corpos-territórios quilombolas e o fio conectado da ancestralidade: entre as agendas de justiça climática e as práticas culturais e comunicacionais”, uma realização do Instituto Sumaúma, em parceria com a Mídia Quilombola.

Os resultados estão reunidos no relatório, que apresenta dados inéditos sobre práticas comunicacionais, culturais e territoriais, sobre os desafios ambientais, relação com a natureza e memória ancestral.

Os eventos aconteceram na Casa das ONGs (da Abong) e no Cedenpa (Centro de Estudos e Defesa do Negro do Pará) e, além da equipe do Instituto Sumaúma e de Juliane Sousa – jornalista quilombola, fundadora do Mídia Quilombola e que atuou como consultora da pesquisa –, a programação envolveu organizações como a Conaq, representada por Nathalia Purificação e Ailton Borges, a Rádio Nacional dos Povos, com Valber da Gama, e o Instituto Perpetuar, com participação de Ruthelly Valadares. Os dois dias foram marcados pela presença do grupo Tambor de Crioula Mãe Andreza do quilombo Bom Jesus dos Pretos, do município de Cândido Mendes (Maranhão).

Parte dos resultados do estudo foram divulgados em portais de comunicação, como a Rádio EBC, a DW Brasil, o Site Mundo Negro, a Alma Preta, o Notícia Preta, Um Só Planeta (do Globo) e a Agência Brasil.

Colocar essa pesquisa coletiva no mundo, durante a COP30, em Belém (PA), significou reafirmar que as vozes quilombolas devem ser escutadas, se quisermos construir alternativas reais de reparação climática, pois os corpos-territórios quilombolas são preservação da vida, tal como apontou a pesquisa.

Participamos ainda das atividades do Comitê Nacional de Tecnologia da Marcha das Mulheres Negras 2025, que foi lançado em setembro, na sede da Ação Educativa, em São Paulo. Na ocasião, a instituição esteve representada por Taís Oliveira – que compôs a mesa “Bem Viver e as disputas tecnológicas: narrativas e contribuições das Mulheres Negras” –, por Vanessa Silva (nossa Analista de Pesquisa) e por Diego Galofero (nosso Assistente Administrativo).

Foram um conjunto de palestras, encontros formativos e planejamento de atuação do Comitê – que contou com o Instituto Sumaúma na facilitação dos diálogos para a construção de espaços de discussão e construção coletiva para a valorização de tecnologias, políticas e narrativas que coloquem as mulheres negras e seus territórios no centro do debate.

Essa articulação culminou com a participação na histórica Marcha das Mulheres Negras “Por Reparação e Bem Viver”, no dia 25 de novembro, em Brasília.

Este ano, participamos do processo de Consulta Pública sobre Combate ao Racismo nas Plataformas Digitais, realizado pelo Governo Federal. Especificamente, o Instituto Sumaúma promoveu e integrou uma iniciativa de incidência política voltada ao chamamento público sobre o tema – cujo resultado está presente no texto do relatório, divulgado em dezembro de 2025. Essa articulação coletiva envolveu as representações das organizações: Instituto Sumaúma, Instituto Omó Nanã, Desvelar, Comitê de Tecnologia da Marcha das Mulheres Negras, Coalizão Tecnopolíticas Pan-Amazônicas, Rede Negra sobre Tecnologia e Direitos Digitais, Labidd (Laboratório de Inovação e Direitos Digitais da UFBA) e Grupo de Pesquisa de Comunicação Antirracista e Pensamento Afrodiaspórico, bem como as pesquisadoras: Dandara Calixto, Helen Rose Santos, Maira Vilela, Priscilla Fenics, Mariana Lopes, Marcela Canto, Laura Schutz e Nirvana Lima.

A atividade dá continuidade às ações referentes ao chamamento para o Plano de Comunicação pela Igualdade Racial na Administração Pública Federal, realizado no final de 2023 em uma parceria entre o Ministério da Igualdade Racial e a Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República. Seguimos com atenção para acompanhar os próximos passos dessa articulação.

O Instituto Sumaúma também é uma das entidades signatárias da Carta pela Regulação da IA protetiva de direitos, organizada pela Coalizão Direitos na Rede no âmbito dos debates do Projeto de Lei nº 2338, sobretudo pela urgência da participação da sociedade civil.


Eventos e Diálogos

No início de novembro, participamos da Opportunity Collaboration 2025, em Albufeira (Portugal), representado pela Taís Oliveira, enquanto Fellow OC. O encontro reuniu lideranças globais comprometidas com o enfrentamento da pobreza e das desigualdades, promovendo debates sobre tecnologia, mobilização de recursos, equidade racial e futuros sustentáveis. A presença do Instituto ampliou conexões internacionais e fortaleceu agendas de justiça social.

Também em novembro, o Instituto Sumaúma integrou o Mozilla Festival 2025, em Barcelona (Espanha), dedicado ao tema do “unlearning”. A participação envolveu diálogos sobre meio ambiente, impactos das tecnologias na vida humana e justiça ambiental. O Instituto, representado por Taís Oliveira, conduziu a sessão “Sem plantas, não há vida: Inteligência Artificial e Justiça Ambiental a partir do orixá Ossain”, articulando sustentabilidade, território e direitos digitais. A atuação reforçou a presença das redes negras brasileiras no debate tecnológico global.

É importante pontuar ainda a participação da nossa diretora executiva Taís Oliveira no ciclo de palestras sobre Tecnologias Digitais promovido pelo projeto Minas Programam, com uma fala sobre “Interseccionalidades e Soberania Digital”; no painel “Educação antirracista, antisexista e ambiental para garantia da justiça climática” promovido pelo CEERT, no Cedenpa, durante a COP30; e no Painel “Tecnologia, Internet e Sociedade”, no evento “Tecnologias Encantadas”, realizado pela AfrOya Tech Hub.

Além da presença no podcast do coletivo Pretidd (falando um pouco sobre pesquisa de impacto social); sua contribuição para a revista Vida Simples, ao dar entrevista numa matéria sobre o equilíbrio com o uso da internet no dia a dia em seus impactos para a saúde mental e física das pessoas; e, no mês de fevereiro, foi ao ar a participação dos pesquisadores Tarcizio Silva e Taís Oliveira no episódio “Racismo Algorítmico” da série de vídeos “Diálogos sobre Racismo”, promovida pelo Sesc CPF.


Prestações de serviços

Neste ano, o Instituto Sumaúma em parceria com o Instituto Orire de Comunicação e Educação e a Black Sisters in Law, para a Uber, realizou a pesquisa “Percepções sobre racismo e os caminhos para a justiça”, que escutou pessoas negras (pretas e pardas), maiores de 18 anos, de todas as regiões sobre os instrumentos legais para denunciar casos de racismo e injúria racial no país, focando principalmente na realidade de quem se desloca por regiões metropolitanas ou em grandes cidades. O resultado deste trabalho está no manual disponibilizado ao público.

Além disso, pelo segundo ano consecutivo, tivemos a realização do Curso Preparatório para Seleções de Pós-graduação em parceria com o Sesc São Paulo – Centro de Pesquisa e Formação (CPF). Os onze encontros foram ministrados no primeiro semestre. As vagas da turma eram direcionadas para os colaboradores da rede Sesc e outra parte para o público geral.

Agradecemos mais uma vez à Dulci Lima pela interlocução, acolhida e suporte durante esse percurso, bem como aos demais colaboradores do Sesc CPF. Nesta demanda, contamos com uma equipe de tutores também muito atenciosa: Abraão Filipe Oliveira, Fabia Pereira da Silva, Helen Rose Santos, João Raphael da Silva, Lídia Michelle Azevedo, Lina Moreira, Marcus Vinícius Bomfim, Maria Fernanda Ruas, Taís Oliveira e Tarcizio Silva.

Ufa! Não foi pouca coisa. Encerrar esta retrospectiva nos enche de alegria e, sobretudo, de esperança. Que em 2026 possamos seguir planejando com intencionalidade, ampliando nossas raízes e fortalecendo nossa copa — como a própria sumaúma, que cresce firme, acolhe, sustenta e inspira. Que o próximo ano nos encontre preparados para novos voos, novos desafios e novos frutos. Esse é o nosso desejo e ação por aqui. Até lá!

Posted in Institucional.

Deixe um comentário

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *