O Ciclo Cuidados Digitais e Bem-estar na Internet para Povos e Comunidades de Terreiro e Matriz Africana foi desenvolvido em 2025, no âmbito do Programa Sumaúma Lab – Laboratório Interdisciplinar de Ciência, Tecnologia e Sociedade do Instituto Sumaúma, com o apoio do Projeto Nanet (2024) e realizado em parceria com o Instituto Omó Nanã e com N’zinga Coletivo de Mulheres Negras Belo Horizonte-Minas Gerais.

Segundo o Censo Demográfico de 2022, aproximadamente 1,9 milhões de pessoas são praticantes de religiões de matriz africana, especificamente Umbanda e Candomblé. Em 2010, estas religiões representavam apenas 0,3% da população, saltando para 1,0% em 2022, um aumento de mais de 300%. Desses, 56,7% são mulheres, 43,3% são homens e 56,4% são pessoas que se autodeclaram negras. As maiores concentrações regionais estão no Sul (1,6%) e Sudeste (1,4%). Em nível estadual, o Rio Grande do Sul se destaca como a unidade da federação com a maior proporção de praticantes, atingindo 3,2% da população. O Rio de Janeiro aparece em seguida com 2,6%, e São Paulo com 1,5%.
Embora o Censo traga dados sobre as práticas religiosas e foque especificamente na Umbanda e Candomblé, entendemos que os Povos e Comunidades de Terreiro e Matriz Africana são ainda mais expressivos e complexos que estes dados. A cultura de matriz africana possui premissas sociais baseadas em conceitos como comunidade, bom caráter, cuidado com o alimento, a relação com a natureza e o bem-viver. Além de ter no cerne de sua prática o domínio de tecnologias sociais. Desta forma, num contexto de disputas das tecnologias digitais, acreditamos que os Povos e Comunidades de Terreiro e Matriz Africana são importantes atores sócio-políticos, sobretudo em seus territórios de pertencimento, sendo portanto, essenciais na construção de outras realidades possíveis.
Este ciclo formativo teve como premissa o fortalecimento institucional dos terreiros, bem como a sensibilização e conscientização do povo de axé sobre direitos digitais, plataformização dos serviços e governança da Internet. Os diálogos se deram a partir da exposição das filosofias e mitologias dos Orixás, Nkises e Voduns e a cosmovisão das culturas afro-brasileiras numa relação com temáticas contemporâneas sobre Internet e tecnologias digitais.
O ciclo formativo se deu por meio de quatro (4) encontros online, que ocorreram nos dias 07, 09, 14 e 16 de outubro e um (1) encontro presencial com quatro (4) mesas no dia 18 de outubro, ocorrido na sede do Cenarab, na cidade de Belo Horizonte, em Minas Gerais. No livreto Cuidados Digitais e Bem-estar na Internet para Povos e Comunidades de Terreiro e Matriz Africana apresentamos artigos elaborados a partir de todas as contribuições e diálogos do Ciclo Cuidados Digitais e Bem-estar na Internet para Povos e Comunidades de Terreiro e Matriz Africana. Esperamos que a jornada de leitura possa nos conectar com os saberes ancestrais e com as tecnologias sociais que sempre estiveram dentro dos nossos terreiros. Axé!
