TIC, Governança da Internet e Gênero: entenda como esses temas se relacionam

O Comitê Gestor da Internet no Brasil (CGI.br) produziu em 2021 a “Coletânea de Artigos – TIC, Governança da Internet e Gênero – Tendências e Desafios” feito por pesquisadoras da instituição.

O estudo traz diversos artigos que relacionam tecnologia, Internet e comunicações com o recorte de gênero. A interseccionalidade ainda é um componente categórico na hora de identificar quem tem mais vantagens pelo desenvolvimento das tecnologias de informação e comunicação (TIC), seja pela experiência de uso, governança da internet, costumes ou disponibilidade de acesso.

O material é separado por quatro temas: Governança da Internet, Violência contra Mulheres, Trabalho e Carreira e Aspectos socioeconômicos. Confira o que você pode encontrar em cada tema ao ler o artigo.

Governança da Internet

Os artigos que fazem parte dessas seções são: “Participação de Mulheres na Governança da Internet no Brasil”, escrito pela cientista social pela Universidade de São Paulo (USP), Laura Conde Tresca e “Participação de mulheres no W3C”, por Caroline Burle, responsável pelas relações Institucionais e Internacionais do Centro de Estudos sobre Tecnologias Web (Ceweb.br) do NIC.br e W3C Brasil.

Ambos trazem um panorama do quanto ainda é defasado o número de mulheres nos campos de inovação e tecnologia. Analisam a participação feminina na governança da Internet, como e porque se dá o de processo de exclusão e as políticas para incluir mais mulheres nas tomadas de decisão dentro da área. Historicamente, os homens sempre ocuparam o lugar de descobrimento e inovação e compreender essa trajetória para a mudança no cenário é fundamental.

Os artigos explicam que incentivar políticas de fomento para engajamento dentro dos espaços de tecnologia e inovação é também é uma mudança social, ou seja, ultrapassa uma área específica. E, para uma mudança social, todos possuem o seu papel e, nesse caso, inclusive os homens.

Violência contra Mulheres

Essa é a maior seção da coletânea e é composta por quatro artigos:

  • “O permanente desafio da violência contra as mulheres na Internet” de Bia Barbosa, jornalista, especialista em direitos humanos pela USP e Mestra em políticas públicas pela FGV-SP e Larissa Santiago, publicitária formada pela Unifacs, Salvador;
  • “O cancelamento nosso de cada dia: a perpetuação da violência contra a mulher na Internet”, de Silvana Lemos de Almeida, jornalista, mestre em Comunicação e atualmente doutoranda em Comunicação (UERJ/RJ);
  • “Vazamento de Nudes: entre tensões e contradições”, por Tatiana Jereissati, coordenadora de Métodos Qualitativos e Estudos Setoriais no Cetic.br|NIC.br.
  • “Atuação do poder judiciário no combate ao feminicídio”, de Amanda Yumi Ambriola Oku, conselheira suplente do CGI.br, Mayara Regina Formenton, graduanda em Estatística e Fabiana Luci de Oliveira, doutora em Ciências Sociais.

Todos os artigos, cada um em sua particularidade, aborda sobre a violência contra a mulher, principalmente no âmbito digital. A falta de acesso à tecnologia, a inviabilização de conhecimento e a propagação das informações são fatores que impulsionam o processo de vulnerabilidade da mulher no campo digital. Mais uma vez, o contexto histórico e social é objeto de estudo para apresentar argumentações que relacionam a tecnologia ao gênero.

O uso da tecnologia para a difamação e exposição de mulheres, além do aproveitamento da disseminação de informações dessas tecnologias são grandes problemas sociais que levam aos diversos casos de feminicídios do país. Hoje, o Brasil ocupa o 5º lugar no ranking mundial. É fundamental a interferência de organizações governamentais para subsidiar casos de violência contra a mulher. A criação de políticas que possam orientar, oferecer acessos às informações e proteger as mulheres no campo digital são essenciais para lidar com o cenário.

Trabalho e Carreira

Em Trabalho e Carreira, três são os artigos que compõe a seção. O primeiro, “O hiato de gênero nas carreiras ligas às TIC: apontamentos sobre o debate em organizações internacionais”, de Miriam Wimmer, vencedora da primeira edição do Prêmio DESTAQUES em Governança da Internet no Brasil, promovido pelo CGI.br.

O segundo, “Mulheres e Mercado de trabalho: as desigualdades digitais por gênero”, por Luciana Portilho, coordenadora da pesquisa TIC Saúde no Centro Regional de Estudos para o Desenvolvimento da Sociedade da Informação (Cetic.br) e Camila Lima, estatística no Cetic.br|NIC.br. E por fim, o terceiro, “Desafio às mulheres em carreiras tecnológicas: reflexões a partir de trajetória pessoal”, por Nazaré Bretas, doutora em Ciência Política.

Mais uma vez, é abordado o contexto social, mas com o foco em carreira e profissão. Reconhece nos artigos a grande lacuna de profissionais mulheres na área, devido a disparidade de educação, habilidades no uso de computador e trabalho. As políticas que já atuam no país não são suficientes para garantir uma representatividade.

O mercado de trabalho da tecnologia precisa incluir ações mais constantes e menos pontuais para um futuro de inclusão de mulheres dentro da economia digital e na sociedade e pela transformação do atual mercado tecnológico machista.

Aspectos socioeconômicos

Na última seção da coletânea, os aspectos socioeconômicos são destaque com os artigos “O que fazer sobre o viés algoritmo baseado em gênero?”, de Elisa Bettega, analista de dados no Núcleo de Informação e Coordenação do Ponto BR (NIC.br) e “Discriminação em camadas: condição social e gênero, da advogada e representante do Terceiro Setor no Comitê Gestor da Internet no Brasil de 2014 a 2020, Flávia Lefèvre Guimarães”.

Aqui, o conteúdo completa a coletânea exemplificando as dificuldades e discriminações que os aspectos socioeconômicos somam com a questão de gênero. A desigualdade de acesso a Internet e a capacitação são fatores excludentes que precisam ser considerados dentro da área de tecnologia da informação.

No primeiro artigo, é falado sobre os impactos dos algoritmos também e como transmitem essa realidade. A efetividade dos direitos sociais e a criação de políticas, mais uma vez é citada como forma de mudança desse cenário.

Quer saber mais? Acesse a coletânea na íntegra aqui.

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