Instituto Sumaúma: o porquê de sermos o que somos

Por: Taís Oliveira (Fundadora e Diretora Executiva)

Em 2018 a reportagem “Menos de 3% entre docentes da pós-graduação, doutoras negras desafiam racismo na academia” deixou muita gente impactada, principalmente por apresentar o alarmante dado que, até então, havia apenas 219 doutoras pretas professoras em cursos de pós-graduação do Brasil (menos de 3%). Homens pretos e pardos estavam próximos de 5%. E, sem surpresa alguma, os homens brancos doutores são 43% dos docentes dos cursos de pós-graduação, a maioria.

São várias as barreiras que nos levam a esse cenário, desde a impossibilidade de acesso primeiramente à graduação, a dificuldade de permanência, falta de bolsas de estudos, o escopo de produtividade, o desmanche e a falta de perspectiva de carreira acadêmica, entre outras. E todas essas dificuldades são permeadas pelo racismo estrutural.

No ano de 2018, quando a matéria foi publicada, eu era mestranda e atuava na organização do curso preparatório Mestres Pretes, junto com os colegas e tutores Tarcízio Silva, Marcus Vinicius Bomfim e Lina Moreira. O objetivo do curso era colaborar com aspirantes a pesquisadores em uma outra etapa bastante excludente: o processo seletivo para programas de pós-graduação.

Nós realizamos duas edições com uma demanda enorme de pessoas interessadas. Algumas pessoas conseguiram passar em processos seletivos, outras foram para cursos lato sensu, algumas ingressaram como alunas ouvinte ou especial para experienciar o ambiente acadêmico, outros seguiram por caminhos diferentes. Mas o contato com centenas de dúvidas, expectativas e inseguranças nos indicavam que a seleção não é sobre escolher os melhores, mas sim sobre barrar muitos projetos incríveis.

Quando nos preparávamos para lançar a terceira edição do curso veio a pandemia e na de aguardar para ver o que aconteceria com o mundo, passamos por um hiato que durou dois anos. Mas esse período foi muito importante para maturar e preparar uma estrutura ainda maior: o Instituto Sumaúma.

A educação deve ensinar sobre a vida

O Instituto Sumaúma, que é uma organização sem fins lucrativos, é um hub de serviços e projetos relacionados à pesquisa e à carreira acadêmica e que pretende ser um espaço para orientação, assessoramento e desenvolvimento de pesquisadores e de aspirantes na carreira.

Na área de Educação & Pesquisa trabalhamos com a preparação de candidatos para entrada na carreira acadêmica, com o desenvolvimento de habilidades e produção de conhecimento e pesquisas, tanto interno quanto para a sociedade e comunidade científica.

Na área de Gestão de Carreira oferecemos aos pesquisadores associados uma metodologia de assessoramento em comunicação e relações públicas, bem como a mediação de serviços de inteligência com os variados públicos de interesse. Além disso, aqui nesta área também atuamos com a oferta de desenvolvimento de habilidades e produção de conhecimento.

Já na área de Serviços Corporativos oferecemos a organizações privadas, públicas e do terceiro setor, instituições de ensino, associações de classe e quaisquer outras que tenham interesse serviços de inteligência como pesquisas, palestras, cursos, projetos in company; consultorias e curadoria de conhecimento.

Todas as pessoas envolvidas tanto no curso preparatório realizado anteriormente quanto no desenvolvimento do Instituto Sumaúma são provas vivas e resistentes de que a educação transforma e modifica a estrutura da sociedade e de suas próprias vidas. Portanto, concordamos com W.E.D Du Bois (1888): “A educação não deve simplesmente ensinar o trabalho, deve ensinar sobre a vida” e colocamos à disposição nossas habilidades técnicas e intelectuais para colaborar com as trajetórias acadêmicas e de vida de nossa comunidade e da sociedade.

Economia e educação circular

Como dito acima, o Instituto Sumaúma é uma organização sem fins lucrativos e que também nasce com base na ideia de compartilhamento e circularidade. Os projetos desenvolvidos nas áreas de Educação & Pesquisa e Gestão de Carreira são executadas de maneira gratuita para os beneficiados finais.

Logo, uma das formas de gerar receita para desenvolver e manter esses projetos é com a contratação dos Serviços Corporativos. Via de regra, nas possibilidades de Serviços Corporativos contratados os pesquisadores associados, que são tutores voluntários no curso preparatório, serão remunerados por suas contribuições ao serviço. E outra parte do valor é reinvestido na organização.

Dessa forma, praticamos ao mesmo tempo a economia e a educação circular impactando diretamente nos âmbitos individual, coletivo, social e empresarial. Em sintonia com os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável: Educação de Qualidade (1), Igualdade de Gênero (5), Trabalho Decente e Crescimento Econômico (8) e Redução das Desigualdades (10).

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Outra forma de colaborar é apoiar individualmente

a organização com $10 mensais ou $0,33 diários.

Clique aqui e apoie!

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Além disso, prezamos por contratar prestadores de serviços de grupos diversos e alguns já estão contribuindo de forma brilhante para a história do Instituto Sumaúma, como no desenvolvimento da identidade visual e material de apoio, conteúdo para o blog, com a orientação financeira, orientação estratégica sobre o setor, com as fotografias oficiais e o stylist. Considere conhecer e apoiar seus serviços:

Triunfo, se não for coletivo, é do sistema

Essa frase do subtítulo é da música Triunfo do rapper Emicida que eu gosto tanto quanto de uma outra frase de Levanta e Anda (Emicida e Rael): jamais volte pra sua quebrada de mão e mente vazias. Não é de hoje que essa trilha sonora me faz refletir e me guia num caminho de propósito coletivo.

Quando eu ouvia Emicida no caminho entre o fundão de Guarulhos e a zona sul de São Paulo, entre 2008-2011, eu era graduanda. Quando a matéria da Gênero e Número foi publicada, em 2018, eu era mestranda. Hoje, 2022, eu sou doutoranda, e muito em breve mais uma mulher preta Doutora.

Mas meu caminho não foi solitário, muito pelo contrário. De inspiração musical, da oportunidade vinda da política pública de educação, das pessoas que leram e deram sugestões em meus trabalhos, dos professores generosos que foram e são inspiração, dos alunos que agradecem a cada fim de aula e de cada troca intelectual ou de vida com todos os colegas de caminhada: todos contribuíram de algum modo para o nascimento desta organização.

O Instituto Sumaúma existe e trabalha para que o triunfo seja coletivo e que a gente volte para nossas quebradas carregados de esperança, de luta, de estratégia, de parcerias e de visões de futuros possíveis. Para que a frase “tema da faculdade em que não pode pôr os pés”, seja só mais uma bela canetada reflexiva, mas que a gente ocupe, pois, a universidade é nóiz.

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