“Histórias da minha área” de Djonga: resistência, vivência e poesia

Não é segredo para ninguém que o rapper Djonga manda muito bem em seus versos e faz críticas sociais importantíssimas. E, é por isso, que Jonathan Araujo Barreto de Souza, graduando em Geografia pela UERJ, realizou um artigo sobre o álbum “Histórias da minha área”, analisando as músicas do artista.

Como o nome do disco sugere, Djonga traz em suas letras histórias sobre a realidade em que viveu, ou seja, na periferia brasileira. Em suas letras, explica como funciona a dinâmica nesses espaços e os impactos negativos que a falta de suporte do Estado gera.

Para começar, Jonathan, o autor do artigo, conta a história do hip-hop no mundo e no Brasil e como o RAP, que deriva do movimento, torna-se uma ferramenta de resistência, conhecimento e apoio dentro dos espaços periféricos. Entende-se que o RAP é uma cultura negra e afro-diaspórica, que traz uma série de comportamentos e manifestações passadas de geração para geração.

O que Djonga diz em seu álbum “Histórias da minha área”

A violência policial, consciência de classe, autoestima, racismo, ancestralidade e ascensão social são os principais temas presentes no álbum “Histórias da minha área”. No artigo, Jonathan analisa as músicas “O Cara de Óculos”, “Não Sei Rezar”, “Oto Patamá”, “Gelo”, “Hoje Não” e “Deus Dará”

As análises feitas pela “O Cara de Óculos”, aponta referências do cantor, a questão de autoestima e estética. O compartilhamento do pouco que tinha com a comunidade, questões sociais, como analfabetismo e a entrada para o crime como falta de opção para ascensão financeira, o sentimento de tristeza causada pela injustiça racial, também são temas trazidos na canção.

Já na música “Não Sei Rezar” a crítica social é abordada na letra ao retratar a entrada de jovens negros para o crime e a dificuldade em atingir alguns objetivos e da cobrança de “precisar” ser algumas vezes melhor para concluir suas metas positivamente. O clamor por justiça e sua inquietude são evidenciados na música também. A letra referência a realidade violenta das periferias.

Em “Oto Patamá”, Djonga faz um comparativo do termo “carreira” de profissão com “carreira’ de cocaína. Fala sobre ego e vaidade, sempre evidenciando as dificuldades que o povo negro e periférico passa pela busca de uma vida melhor. Além disso, reforça que dentro da periferia, pequenas atitudes podem gerar grandes mudanças positivas. Na música é feito alusão à escravidão e ao tráfico negreiro e suas origens como base.

“Hoje Não” conta com o clipe que recria a história de Ágatha, a menina de 8 anos que foi executada em uma ação policial no Rio de Janeiro. No clipe de Djonga o final de história é diferente: a menina sobrevive e quem morre são os agentes que violentam as periferias.

Quer saber mais sobre a análise feitas de todas as músicas? Então leia o artigo na íntegra e conheça sobre o álbum do rapper.

Conheça mais sobre o autor do Artigo, Jonathan Araujo Barreto de Souza:

Graduando em Geografia pela UERJ, bolsista voluntário do Núcleo de Ensino e Pesquisa em Planejamento Territorial, com pesquisas em questões étnico-raciais, cultura e sociedade e territórios imateriais, com ênfase no território criado pelo RAP.

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