Antirracismo e tecnologia: pesquisa destaca os principais pontos para melhoria

Quais são suas Prioridades sobre Antirracismo na Tecnologia/Negritude na Tecnologia? Essa pergunta foi respondida pela pesquisa “Prioridades Antirracistas sobre Tecnologia e Sociedade”, realizada pela Ação Educativa.
O intuito foi buscar novas referências e contatos para compreender a relação entre tecnologias digitais, raça e racismo no Brasil. Foram consultados 113 especialistas negros, das cinco regiões brasileiras, que pensam e agem nos diversos setores, unindo tecnologia e justiça social.

Em relação as prioridades antirracistas sobre tecnologia e sociedade, o resultado foi o seguinte:

O Epistemicídio e o apagamento do conhecimento sobre tecnologias foram as principais respostas. A invisibilidade das relações de poder, histórias e controvérsias da tecnologia são grandes obstáculos para o enfrentamento de séculos de racismo nesse campo. Em segundo lugar, a falta da presença negra e de práticas inclusivas nos espaços de controle das tecnologias é uma questão que deveria ser analisada. Seguindo, inteligência artificial e algoritmização são prioridades antirracistas que precisam ser pensadas.

Outro ponto citado na pesquisa, foi a vigilância e a violência estatal, como forma de controle das populações pobres e racializadas. O reconhecimento facial e tecnologias biométricas são alguns dos exemplos que preocupam a população negra. Um exemplo de violência estatal seguindo essa linha de pensamento, foi o caso do reconhecimento fotográfico que resultou na inclusão do rosto do ator Michael B Jodan como suspeito na lista de procurados pela polícia do Ceará.

Opressões intersseccionais, que levam em consideração gênero, classe, sexualidade e outras variáveis políticas de identidade e corpo, a formação técnica e empregabilidade, que exige formações específicas, e a privacidade de dados, relacionada ao compartilhamento de dados e a segurança digital, são os outras três prioridades antirracistas que compõe a pesquisa.

Para finalizar, os impactos das desigualdades econômicas, o hiato digital, a falta de espaços para desenvolver as potencialidades negras, governança da internet e representatividade, questões sobre legislação, a diáspora e conexões entre a população negra e os territórios de resistências completam o quadro que finaliza a pesquisa, totalizando 19 prioridades que precisam ser revistas no cenário tecnológico.

A pesquisa coletou não apenas problemas, mas caminhos ou direções para a resolução desses problemas. O primeiro lugar que ocupa a “Reação e Remediação Antirracistas” foi justamente pesquisa e geração de dados, como produção e visibilidade de conhecimento para mudar a esfera racista no meio tecnológico.

Políticas e recursos públicos ocupa o segundo lugar como ferramenta para diminuir as disparidades ocasionadas pelo racismo. Educação formal e formas para gerar conhecimento são também foram propostas como melhorias. Por fim, a construção de redes de pessoas, regulação e prestação de contas, ocupação de espaços de lideranças, criação e produção alternativa de tecnologias e fundos de financiamento para viabilização de projetos completam a lista de sugestões de remediações. Confira a pesquisa completa aqui!

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